sábado, 24 de outubro de 2020

Textos aleatórios, começados e nunca publicados: teimosia

A vida é um eterno adaptar-se. Eu, metida e teimosa - igualzinha ao meu filho mais velho João Guilherme e chamada até no amigo secreto de prepotente porque sempre quero dizer que sei de tudo - - conservo desde que me entendo por gente o péssimo hábito de querer controlar o mundo. Em alguns períodos da vida eu melhorei, mas confesso que isto está em mim mais do que gostaria - de repente vamos trabalhar isso em 2019! Ser controlador como eu não é algo bom, porque nem sempre e quase nada saí como a gente quer, principalmente quando isso se refere aos outros, às pessoas. Afinal, você realmente pode até tentar se planejar e tentar ter algum controle sobre as coisas que se referem somente á você, mas controlar o outro é impossível e não é legal. Quando eu e o Ali casamos eu tive que aprender um pouco isso na marra, óbvio que num casamento todos fazemos concessões e precisamos mesmo aprender a viver com uma outra pessoa inteira, mas eu passava dos limites as vezes e por sorte meu lindo marido loiro alto e maravilhoso nunca permitiu que isso se tornasse um problema. Depois de 4 anos já lidamos bem melhor com quase tudo. Mas aí eu me tornei mãe e acho que isso me fez ficar ainda mais neurótica com um monte de coisas. Teoricamente fiz tudo certo com o João, brinco até que eu era muito mais regrada com ele, mas o fato é que eu só controlava tudo que o envolvia - o que comer, quando comer, o que vestir, o que não vestir, onde ir, até que horas ficar acordado - enquanto ele era um bebezinho. Meu bebê cresceu!
João Guilherme tem quase 4 anos e todos os dias eu e ele brigamos. E todos os dias eu me vejo nele. E todos os dias eu quero que ele faça as coisas do meu jeito e todo dia ele quer fazer as coisas do jeito dele. Ele tem argumentos e até usa as mãos pra dizer, mas mãe deixa eu falar! E assim vamos nos enfrentando. Até um certo ponto é educar, mas de uma hora pra outra vira guerra.
Eu não lembro o que me motivou a começar a escrever esse texto em 2018, mas agora temos uma guerra dupla e o Luís é mais teimoso ainda. Sigo tentando melhorar e fazer o melhor pra eles sempre.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O que fica

Eu tinha ideologias, ideais e sonhos muito bem definidos no começo. Eu parecia estar muito certa. Convicta de minhas crenças. Ah se você me visse no auge dos 16 anos, não acreditaria. Uma menina politicamente envolvida, militante, inteligente, corajosa, ativa. Eu escrevia, falava e argumentava porque acreditava em minhas lutas. Eu estava crescendo e mudaria o mundo. Odiava minhas amigas alienadas, odiava as patricisses da vida, tinha vergonha das futilidades.Olhando agora eu tinha uma energia, uma confiança e uma certeza contagiante, invejável até. Eu era otimista, tinha fé e esperança.Isso tudo era muito bom.
A gente vai crescendo, olha pra trás e percebe que toda essa certeza, minhas lutas que muitas vezes viraram brigas inúteis, minha intolerância, não fez nada de bom por mim, olhando no geral, não existe, nem nunca existiu um lado certo.

(Texto não concluído e não públicado antes)