sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Carta Aberta

Das coisas que eu esqueci de contar e das que eu nunca deixarei de acreditar.

Quero escrever pra você há meses, contar que consegui aquele segundo emprego e, como previsto, ando mais cansada e rabugenta do que antes. O bom é que agora eu escrevo. Não todos os dias, nem como eu gostaria, mas eu escrevo - Redações publicitárias, alguns e-mails com pedidos de orçamento, autorizações de produção de determinados materiais, releases virão, certamente. É bem diferente de escrever minhas peripécias desimportantes, mas tem sido divertido, uma experiência nova. Às vezes me pergunto se não estou perdendo tempo, afinal as pessoas observam bem mais as imagens. Porém, eu continuo porque é bom aprender, tem uma vista bonita na janela da agência nos dias de sol, livros legais e conversas engraçadas e inteligentes.

Ganhei aquela bolsa de estudos de inglês. Já perdi as contas de quantas vezes comecei o curso, mas sabe, acho que agora eu vou until
the end. As aulas também são divertidas, conheci novas pessoas com as mesmas dificuldades que eu e duas vezes por semana nos encontramos numa sala, para tentar melhorar e aprender juntos. Ah, me matriculei na academia também, pela vigésima vez. Começo a malhar pra valer semana que vem e há grandes chances de eu entrar em forma até o verão.

Quase não vejo meus amigos, todos vivem numa correria sem fim. Mas soube que a casa da Mileide ficou pronta, ela se mudará assim que instalarem a luz e a água. A Carol também está tentando comprar um apartamento. Ela trabalha numa agência agora e faz um curso todo sábado em Curitiba, agita todas via twitter, sempre no jeito mais workaholic de ser. Eu sinto que ele está bem, muito melhor. O Alface vive viajando, vi ele no Churrascon por alguns minutos e ele continua o mesmo, um vegetal cafajeste. Do Duh, eu só sei que ele está num programa de rádio de manhã, que voltou a escrever no blog e que ama a Jana infinitamente. A Audrey está linda grávida, o bebê dela chega em Outubro. Fui na colação de grau da Edielli, com a Simone e a Marcielly. É engraçado ver como nós crescemos. A Helô ficou lá em casa na última visita e isso trouxe a Jô e a Juh pra perto de novo. Mas a Linha sumiu. A Carol de Maringá veio pra cá tempos atrás, ela viaja sempre que pode e logo terminará o curso de jornalismo. Nunca mais falei com o Xacra, nem com o Igor, Drica e com tantos outros. A vida vai correndo, mudando e a gente se afasta sem querer de alguns amigos.

As aventuras desse ano foram canceladas. Ninguém poderá ir ao show do Pearl Jam e isso é realmente frustrante. Também não vamos no SWU, nem no Rock in Rio. Não fomos acampar e ir num bar é bem diferente do que era antes. Certa noite eu estava com o Kaco, prontos para ir a um show cover dos Beatles, com ingressos comprados e tudo, mas simplesmente dormimos.

Trabalhei numa festa de 15 anos, dias atrás e uns cinco moleques me chamaram de TIA! Me sinto uma idosa. Como eu fiquei tão adulta em tão pouco tempo?! Dias atrás eu estava na festa de 15 anos da Gisele - Outubro de 2002 - e o mundo era muito diferente. Quantas coisas aconteceram nos últimos 10 anos

Depois de todas essas coisas e com todos os contratempos diários, os dias ruins e os meus defeitos tão conhecidos, queria te dizer que eu nunca deixei de acreditar em Deus. Eu não vou a igreja, mas rezo quase todos os dias. Às vezes durmo no meio de uma prece silenciosa, mas no mais íntimo do meu coração peço a Ele que cuide de tudo, de mim, de vocês e da vida, sempre

Eu nunca deixei de acreditar na vida. Até nos dias que eu estou mais desanimada e reclamando do mundo, eu sei que tudo se ajeita. Então, queria dizer que não perdi as esperanças e que continuo correndo atrás. Também não consigo deixar de acreditar nas pessoas e no melhor que elas podem ser. Às vezes me decepciono, claro, mas eu tenho muito talento pra seguir em frente.

Eu nunca deixei de sonhar. É isso que move as pessoas. Às vezes demora pra acontecer e eu não tenho muita paciência, mas como vou viver sem sonhar?! Sem fé no futuro?! Não sei. E se der tudo errado, eu acredito naquilo do nunca ser tarde pra recomeçar, sim, quero ver quem me prova o contrário. Não me importa se você tem 8 ou 80 anos, não tenha preguiça de viver e saiba que ser feliz só depende de você. Coragem homens!

Tudo é uma questão de escolha. Se você pensar bem, vai descobrir que teve um momento na sua vida que o trouxe até aqui. Eu lembro do dia que fiz a minha escolha e lembro que cheguei em casa e disse: Mãe, se der tudo errado daqui uns três anos, ainda será cedo e dá tempo de recomeçar. E ela disse, "Então vá!".

Eu fui e estou aqui. É certo que eu ainda quero um milhão de coisas, que ainda falta aprender muito mais. É verdade que tem dias que eu me queixo de tudo, que eu não sou muito paciente. Mas pensando bem, pensando bem mesmo, eu continuo com bem mais motivos pra comemorar.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Dos 24 anos e de todas as idades

Eu tenho 24 anos e ainda brinco de me equilibrar no meio fio,
Pulo amarelinha e ando de bicicleta

Eu tenho 24 anos e não perdi as esperanças
Conservo os velhos sonhos, guardo um coração de criança
Um otimismo indecente pra coisas impossíveis e inacreditáveis

Eu tenho 24 anos e às vezes acho que Shakespeare estava enganado, não aprendemos a aceitar nossas derrotas com a cabeça erguida e a graça de um adulto
Há dias em que bato o pé e faço birra como se tivesse cinco anos

Mas eu tenho 24!

E ainda não sei cozinhar, nem dirigir
Não aprendi a costurar, nem consegui exercer a profissão que consta no velho diploma da faculdade

Eu não falo inglês, nem qualquer outro idioma
Não fui muito longe nas viagens e nem conheço de perto outras culturas
Pode se dizer que eu não tenho experiência ou conhecimento prático
Mas se você tiver paciência, até que minhas aventuras rendem algumas histórias


Eu tenho 24 anos e não sei nadar
Sou estabanada, não sei andar de salto alto, tão pouco sou um exemplo de feminilidade
Nunca cavalguei e todas as minhas tentativas de fugir de casa deram errado

Eu tenho 24 anos e às vezes subo no telhado, pra ver a lua de perto
Ou paro na estrada pra admirar pelo retrovisor, o sol nascer alaranjado

Eu tenho 24 anos e queria ter mais pra poder ter visto Elvis Presley e o Beatles
Queria ter sido hippie ou participar das greves, das passeatas e movimentos estudantis
Carrego essa visão romanceada sobre quase tudo

Eu tenho 24 anos e moro com a minha mãe
Só trabalho meio período e assisto Sessão da Tarde
Se fosse de manhã, assistiria desenho animado

Eu tenho 24 anos e não sei o que isso quer dizer
Eu quase não discuto política, nem mudei os rumos da humanidade
Não criei nada extraordinário, acabo a pós-graduação sem nenhum grande resultado

Eu tenho 24 anos e às vezes acho que não levo a vida a sério
Ao mesmo tempo em que, pensando bem, fui poucas vezes adolescente de fato
Nunca fumei e acho que nunca vou fumar maconha, nem usar qualquer tipo de droga
E foi agora, exatamente nesse aniversário, que eu coloquei um piercing
Talvez eu também faça uma tatuagem

Eu tenho 24 anos e ainda não sei o que fazer da vida
Achava que sabia, ou saberia quando tivesse 15, depois quando tivesse 18 ou 20
Mas eu tenho 24 e quase todas as mesmas dúvidas de quanto eu tinha 12

Eu tenho 24 anos e ainda tenho medo do bicho papão
E volta e meia imploro colo e quero a minha mãe

Eu cresci
Mas tenho 24 anos e ainda tenho medo
De acidente, de perder meus pais e entes queridos
De envelhecer, de não envelhecer
De nunca me casar e não ter filhos
De casar e ter filhos
De ter feito tudo errado
De nunca chegar lá, de chegar e não saber voltar
De sair de casa
E de ter que voltar pra casa
De decepcionar, ou de ter sonhado demais
Eu tenho 24 anos e ainda temo o futuro

Eu tenho 24 anos e isso não quer dizer nada
Sou a criança mais velha do mundo
Uma adolescente tardia
Uma adulta de meia idade
Viciada na vida, irrecuperável
Vivendo todas as fases, todos os dias, de uma vez só

As vezes eu olho pra trás e vejo o quanto as coisas melhoraram
As vezes olho pra frente e vejo o quanto ainda falta melhorar
As vezes, não enxergo nada...

Tem dias que eu queria ser criança
Tem dias que eu quero mesmo ser adulta
E em outros, eu já queria ser vovó

O que acontece mesmo é que, o presente está rolando enquanto eu escrevo
E a vida se encarrega, independente do nosso esforço, de por tudo no lugar

Pode ser que nada saia como planejado
E isso pode ser ruim
Mas pode ser ainda melhor
Deixe que corra e aconteça

Enquanto isso, eu tenho 24 anos e um tanque de roupas pra lavar...